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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O PREÇO DO AMOR

Segundo romance escrito por Wind Rose. Postado pela primeira vez em 2006.





PLÁGIO É CRIME! NÃO COPIE, CRIE! 
Este texto não caiu do céu, é resultado de MUITO trabalho.
Todos os direitos reservados. 

Proibida a reprodução, adaptação ou disponibilização para download,  no todo ou em parte, através de quaisquer meios, sem a autorização da autora. 
Lei de Direitos Autorais nº. 9.610/98





Lembrando que... Copiar a história apenas trocando o nome das personagens não é fanfiction nem adaptação, é plágio. Por favor, não façam isso, ok?




CAPÍTULO 01


- Onde está? Calma! Calma! Droga! Onde...? - Saí levantando almofadas e roupas...  Encontrei... Atendi...
- Alô?
- O... O... Oi!... Q... Quem fala?
- Michelli.
- Você é... Desculpa... Você é...
- Sou sim.
Já estava puta da vida... No mínimo alguma esposa achou o meu número no celular do marido.
- Você faz streep? - Perguntou rapidamente.
Percebi que podia ser cliente... Mudei o tom.
- Faço.
- É que vamos fazer uma despedida de... De solteira e queríamos um showzinho... Sabe?
- Tudo bem já fiz várias despedidas de solteiro. Sem problema. - Falei calmamente.
- Não! Acho que não entendeu... É... É de solteira... Temos duas amigas que vão se casar... Ah... Uma com a outra e... Queríamos fazer uma surpresa a elas...
- Tudo bem moça. Pra mim não tem problema. - Respondi achando engraçado o desconcerto dela.
- Certo e... E quanto você cobra?
- Depende. É só o show?
- Sim... Só... Se por acaso... Alguém... Quiser... Sei lá... Alguém quiser algo mais... Daí é outra história...
- Tudo bem. O show é quinhentos reais. - Falei sem constrangimento.
- Tudo bem... Vou falar com o pessoal e volto a te ligar... Daí combinamos... Obrigada.
- Ok. Tchau.
Voltei a dormir... Acordei quatro horas depois, olhei o relógio e vi que tinha perdido a primeira aula da tarde... Levantei, tomei um banho, almocei e fui para a universidade. No caminho encontrei Suzana, colega de aula e dei carona a ela...
- Oi Melissa, que bom que parou, estava atrasada. - Ela disse entrando no carro.
- Eu também... – Respondi.
- Você saiu cedo da festa ontem.
- É tinha outra festa pra ir e... Sabe como é... Aniversário de um amigo... Não podia faltar. - Menti. Suzana não sabia das minhas atividades profissionais.


Na quinta feira... Mesmo horário... Nove horas... O celular tocou e, de novo, não achei. Procurei, derrubando algumas coisas até encontrar.
- Alô?
- É... É Michelli...?
- Sim. - Já sabia quem era.
- Olha... A festa... Aquela despedida de solteira... Lembra? É amanhã à noite... Você pode?
- Posso. Que horas e qual é o endereço? - Fui bem objetiva.
- Pensamos em você chegar próximo às dez... Anota o endereço.
- Certo. - Abri o bloco, peguei a caneta e anotei o endereço que ela me passou.
- Meu nome é Bianca... Você chega e procura por mim... Certo?
- Ok. Vocês estão com algo em mente... Alguma roupa especial...? - Perguntei. Ela riu.
- Seja criativa... Tchau. - Desligou.


Cheguei próximo às dez... Uma casa enorme e muito bonita... Percorri uma estrada que era circundada por jardins e árvores esplendorosas que escondiam a fachada da mansão... Estacionei e subi as escadas que dava acesso à entrada principal... A porta estava aberta e muitas pessoas circulavam por uma enorme sala... Fui recebida por um jovem de terno e gravata... Quando me viu sorriu...
- Boa noite... Sou Michelli... A Bianca está? - Perguntei.
- Claro... Me acompanhe...
Fui atrás dele. Passamos por diversas pessoas. Casais, homens, mulheres, todos muito bem vestidos. Percebi os olhares em minha direção.
Entramos em outra sala onde estavam poucas pessoas. Quatro mulheres conversando próximo a uma janela e outras duas sentadas em um sofá. Muito próximas uma da outra.
- Dona Bianca, por favor... - Ele chamou uma das quatro mulheres que se virou em nossa direção.
- Chegou... - Ela disse para as outras.
- Olá Michelli... Estou curiosa para saber o que tem embaixo deste casaco... - Falou e riu.
- Surpresa... - Respondi sorrindo.
Ela chamou as outras, que vieram em nossa direção com empolgação.
- Vamos subir juntas, elas estão lá em cima.
Saímos da sala, passamos pelas pessoas novamente e subimos uma grande escadaria que circulava todo o salão. Entramos em um grande corredor. Passamos por diversas portas e paramos em frente a uma no final deste corredor. Bianca me olhou e disse:
- As duas estão aí dentro... É o quarto de Renata, dona desta casa, estão se arrumando para descer. Hoje elas estão oficializando a união para todos. Só que antes queríamos fazer essa surpresa para elas. Você espera aqui, eu te chamo.
- Tudo bem. Mas quando me chamar, por favor coloque este cd. - Tirei do bolso do casaco um cd e entreguei a ela e entraram todas juntas. Fiquei esperando.
Aproveitei para tirar o casaco e arrumar a roupa. Estava com uma roupa de odalisca, com muitos véus escondendo meu corpo. Tirei a sandália, fiquei descalça e coloquei um véu cobrindo o rosto, deixando apenas os olhos aparecendo.
A porta se abriu... E percebi o olhar de Bianca, que me olhou dos pés a cabeça... “Pode fechar a boca” - pensei. Me deu passagem... E ouvi a música... A primeira pessoa que enxerguei me fez perder a concentração naquilo que iria fazer... Olhos azuis profundos me analisaram inteira... Ela estava próximo a janela com um copo na mão... Não se moveu... Apenas me olhava... Séria. “O que ela está fazendo? Que mulher é essa?” Tentei prestar atenção na música e comecei a me mover... O ritmo da música árabe invadiu o ambiente e aos poucos me aproximei das duas que estavam sentadas na cama... Uma no colo da outra... Riam e se olhavam... Enquanto as outras falavam palavras de incentivo e batiam palmas acompanhando a música... Lentamente fui me livrando dos véus que cobriam meu corpo... Procurava não olhar para aquela mulher... Mas seus olhos me puxavam... Alta... Cabelos negros lisos contrastando com os olhos de um azul maravilhoso... Rosto bem desenhado... De repente me vi dançando pra ela... Que não tirava os olhos de meu corpo... Fui  me desfazendo dos véus no ritmo da música... Ouvias as risadas e a empolgação de todas menos dela... Duas  se aproximaram... Começaram a dançar comigo... Sem me tocar... Apenas acompanhavam os movimentos do meu corpo... Deixei que elas puxassem os últimos véus deixando apenas um que cobria meu sexo... Estavam se divertindo... As duas continuavam sentadas uma no colo da outra... Me aproximei e deixei que uma delas puxasse o último véu... Puxou de forma sedutora... Riam das amigas... E se olhavam de forma apaixonada... A que estava no colo falou:
- Acho que o presente era pra vocês mesmas...
E todas riram... Menos aquela mulher... Que me olhava me deixando perturbada... Constrangida... Mais exposta do que já estava...
Fiquei sem nenhum véu... Apenas com o do rosto... Quando a música acabou... Elas aplaudiram... Riram, fizeram piadinhas... E saíram do quarto... Fiquei juntando os véus, ainda nua e percebi que nem todas tinham saído... Me virei e fiquei de frente pra ela... Me olhou nos olhos... Seu olhar era intenso... Profundo... Azul... “Lindo!”... Se aproximou um pouco mais... Senti meu corpo recuar... “O que está havendo comigo?”... Puxou o véu do meu rosto... Bem devagar... Me olhou... E perguntou com voz firme:
- Por que você faz isso?
Entendi por que ela me olhava daquele jeito... Seu olhar era de reprovação... De repulsa... Senti raiva.
- Por que preciso!
Respondi no mesmo tom, me virei e continuei juntando os véus... Ela não se moveu... Percebi que olhava meu corpo... Queria sumir dali... Aquele olhar me queimava... Lembrei que deixei o casaco no corredor... E fui rápido em direção a porta... Ela continuava me olhando... Abri e sem sair, pois estava nua, tentei alcançar... Mas não consegui... Ela veio em minha direção... Passou por mim... Pegou o casaco e colocou em meus ombros... Fechou-o... E falou:
- Não concordei com este... Este presente... Mas as meninas queriam se divertir, não concordo em alimentar esse fetiche machista e... Além do mais... Acho que existem outras formas de se ganhar a vida... Sem precisar se vender. - Falou e virou de costas.
Não consegui me controlar:
- Quem você pensa que é? Você não me conhece! Não pode julgar as atitudes dos outros baseadas nessa... Nessa sua... Sua vidinha de mulher rica!
Falei e saí em direção ao corredor... Peguei minha sandália... Passei rápido pelo imenso espaço até as escadas... Desci sentindo meus olhos queimarem... Queria chorar, mas não faria isso ali... Atravessei o salão sem olhar para os lados... Na porta ouvi alguém me chamar, mas não parei. Entrei no meu carro e saí. Chorei... Chorei como a muito tempo não chorava... Nunca me senti tão humilhada... Aquele olhar... “Por que fiquei assim?”... O tempo todo... Me julgando... Condenando... Só faltou dar a sentença... “Quem ela pensa que é?”
Quando cheguei em casa lembrei que não havia recebido, mas não voltaria lá. Nunca mais ! Tinha gravado no meu celular o número de Bianca. Amanhã ligaria e cobraria.
Me joguei na cama e chorei... Ela me fez lembrar de tudo que havia passado até ali... Da morte de meu pai... Do desespero de minha mãe ao me dizer que teria que voltar pra casa, pois não tinha mais condições de me manter fora... Meu pai havia deixado muitas dívidas, mais o meu aluguel, universidade... Não havia mais dinheiro para pagar isso. Eu teria que desistir de um sonho. Os estágios e os empregos de meio período  não pagavam nem um terço do que precisava para me manter ali. Depois de cursar 2 semestres teria que voltar. Mas daí surgiu Marta, uma colega da universidade, com uma proposta que a principio pensei em recusar. Acompanhar executivos em uma visita a cidade. Algumas festas... Talvez alguma coisa a mais...
- Melissa você é uma loira linda... Olhos verdes... Tudo em cima... Corpinho saradérrimo... Vai fazer o maior sucesso...
Fiquei em dúvida, mas quando ela me falou de quanto pagariam... Aceitei. E, então, comecei... Cadastrei meu celular em uma agência que selecionava os clientes e me passava. Eu decidia se queria ou não... E assim... De vez em quando me transformava em Michelli... Comecei a fazer anúncios particulares no jornal e começou a surgir outros tipos de programas... Casais... Festas... E comecei a ganhar o suficiente para mim. Comprei um carro e ainda mandava dinheiro para minha mãe e tinha em mente que pararia assim que me formasse. Estava no último semestre. Nunca havia me sentido culpada por isso... Até hoje... Até aquela mulher me olhar daquela forma como se eu fosse o pior dos seres...


No outro dia... Meu celular tocou mais cedo ainda, mas já estava acordada. Dificilmente me preocupava em olhar o número, pois aquele celular era o de “Michelli”, portanto não interessava quem ligava. Atendi...
-Alô?
- Oi... É Bianca... Estou te ligando por que não consegui pagar você ontem... Saiu correndo... O que houve?
- Tinha outro compromisso e já estava atrasada. - Falei rapidamente.
- Entendo... Me passa o número de sua conta que vamos depositar...
Passei a ela o número da conta ela anotou.
- Certo... Hoje à tarde Renata fará isso... Muito obrigada... Foi muito legal... Tchau.
“Renata”... Ouvi esse nome e já sabia de quem se tratava... A raiva voltou, mas tentei esquecer. Fui pro banho.


Dois dias depois fui ao banco. Precisava mandar dinheiro para minha mãe. Tirei um extrato e não localizei o depósito que Bianca havia se referido, mas outro, do dobro do valor. Isso acontecia de vez em quando. Alguns clientes pagavam a mais do que havia combinado, sempre aceitava. Mas esse me incomodou. “Aquela riquinha idiota... Pensa que preciso de esmola dela... Pois vai ver”... Estava furiosa, magoada, me sentia humilhada e não entendia por que. Afinal podia aceitar o dinheiro a mais, como sempre... Mas desta vez não! Algo em mim queria mostrar a ela que não precisava do dinheiro dela, nada dela. “Vou devolver a diferença”.


Parei o carro na frente do portão. Desta vez estava fechado. Apertei o interfone e ouvi a voz de um homem.
- Quem? Michelli?
- Estive aqui há tres dias atrás e... E recebi por um trabalho e acho que houve um engano...
Silêncio... Mais alguns minutos e o portão se abre...
- Pode entrar Srta. Michelli.
- Olha... Não preciso entrar... Você pode vir até aqui. - Falei para ele.
- Por favor entre” - Ele disse calmamente.
Suspirei... Entrei no carro e entrei novamente naquela casa. Sentia minhas mãos molhadas... “Vou tirar de letra... Já passei por situações piores”.


Entrei na casa e fui recebida pelo mesmo homem que me recebeu no dia da festa, mas agora estava vestido de forma informal.
- Entre. Me acompanhe. - Disse e virou-me as costas.
- Não preciso falar com ninguém... Você pode... Só quero devolver a diferença, acho que houve um engano...
Falava mas ele não me olhava, continuava caminhando. Parou na frente de uma grande porta, me olhou e abriu. Fez sinal para que entrasse.
E, novamente, lá estava ela de pé... Próximo à janela... Olhando para o jardim... Senti um frio percorrer minha costas... Ela se virou e caminhou em minha direção...
- Que houve? Achou pouco? - Perguntou sarcástica.
Não respondi, abri minha bolsa, retirei um cheque já preenchido e o coloquei em cima da mesa...
- Acho que houve um engano. - Respondi e já estava me dirigindo a porta quando ela falou:
- Não aceita gorjetas, moça?
Mordi o lábio para controlar a raiva... Me virei... Ela estava bem próxima...
- Não preciso de esmolas... Muito menos sua... - Não desviei os olhos daquele olhar.
- Achei que vivia disso... Então é por diversão? - e riu.
Senti meu rosto pegar fogo... Precisava arrancar aquele sorriso dela... E decidi fazer o que melhor faço... Representei. Mudei a expressão... Sorri de forma sensual...
- Às vezes é... Quer se divertir? - E me aproximei... Percebi que ela corou..
- Não pago por sexo. - Falou de forma ríspida.
- E de graça... Quer?
Continuei da mesma forma. Queria tirar a ação dela, mas não consegui. Ela se aproximou, ficou a centímetros de meu rosto... Senti seu olhar me queimar...
- Esse cheiro é seu? Ou de alguém com quem foi pra cama? - Falou baixinho aspirando o ar próximo a mim.
Empurrei-a e tentei me virar para ir embora. Ela me segurou pela cintura e me fez virar para ela. Segurou meu corpo junto ao seu... Se aproximou... Pensei que ia me beijar... Mas passou a centímetros de minha boca e foi em direção ao meu pescoço... Senti sua respiração me percorrer da orelha ao ombro... Como se me cheirasse... Não consegui me mover... Estava entregue a ela...
- Não... Hmm...! Esse cheiro é seu... - Falou baixinho em meu ouvido.
Fazia muito tempo que eu não sentia o desejo tomar conta de meu corpo... Ela voltou em direção ao meu rosto, seu olhar ficou gelado... E me soltou... Se virou e caminhou em direção a janela. Falou friamente:
- Você deveria aceitar. As meninas adoraram o show e acharam que merecia mais. Não é esmola.
Quando terminou de falar, já estava novamente olhando pela janela, de costas para mim. Peguei minha bolsa e sai. Deixei o cheque no mesmo lugar.


“Meu Deus... O que foi isso?... Quem é essa mulher?” Dirigia, mas não conseguia me concentrar no trânsito... Saí do transe quando o celular tocou. Encostei e atendi, era da agência. Queriam acompanhantes para um congresso que estava acontecendo na cidade. Dei uma desculpa, agradeci e disse que não poderia. Fui direto pra universidade, pois tinha aula a tarde toda.
Aquela mulher havia mudado algo em mim... Mas eu ainda não sabia.

CAPÍTULO 02



No decorrer dos dias não atendi nenhum cliente. Estava sem disposição e a carga de trabalhos, provas e a monografia estavam me deixando exausta. Todos os dias passava pelos murais na universidade procurando algum anúncio para contratação de recém formados. Estava terminando o curso de administração e pretendia mais tarde fazer mestrado.

O dinheiro que havia guardado daria para segurar alguns meses e caso precisasse sempre haveria alguma possibilidade de conseguir algum. Mas comecei a querer evitar. Não havia mais feito anúncios pessoais. Somente a agência me ligava de vez em quando.

A situação financeira de minha mãe estava mais tranquila, disse que poderia começar a guardar para mim o dinheiro que mandava para ela. Na verdade ela não sabia qual era a fonte. Disse-lhe que fazia trabalhos free em algumas empresas... Acreditava.

Marta não entendia como podia recusar tantas ligações da agência.

- Melissa vc tem que se decidir... Daqui a pouco eles não te chamam mais...

- Acho que estou parando Marta... Cansei. - falei a ela.

Ficou surpresa...mas entendeu.

- Um dia todas paramos. - Completou.





Numa sexta feira o celular tocou. Fazia algum tempo que o celular de “Michelli” não chamava. Atendi já pensando na desculpa que daria a agência.

- Alô? É... Quem fala...? - Reconheci a voz. Era Bianca.

- Michelli. - Respondi com pouco entusiasmo.

- Não sei se lembra, mas há algum tempo atrás você fez um showzinho pra gente... - Não a deixei terminar:

- Lembro... A festa das meninas que casaram.

- Isso!... É o seguinte: amanhã é aniversário de uma amiga e ela pediu que a contratasse para repetir... Você pode?

- Bianca... Agradeço vocês terem lembrado, mas não faço mais isso. Estou me formando final do ano e não tenho tempo pra mais nada. Ok?                                        - Que pena... Digo... Que bom... Pena pra nós... Porque foi muito bom... Mas tudo bem... Vou avisar Renata... Vai entender.

Ouvi aquele nome e uma corrente quente percorreu meu corpo.

- Vai avisar quem?... Por quê?

“Não devia ter perguntado” - pensei.

- O aniversário é dela... Ela pediu que te ligasse... Até estranhei por que naquele dia ela ficou contrariada com nossa ideia... Mas acho que acabou gostando... Escuta... Desculpa insistir... Mas ela paga o que você pedir...

Ela riu. Aquilo me enfureceu:

- Você dá um recado a ela, por favor? Diga que por dinheiro algum no mundo eu dançaria pra ela ou faria qualquer outra coisa pra ela... Ok?

- Nossa! Calma... Desculpa... Vou dizer que você não aceitou... Tá bom?

- Tá... Tudo bem... Não tem nada a ver com você isso... Posso indicar uma amiga... Quer? - Falei e um sentimento estranho me assolou... Imaginei outra mulher dançando para ela...

- Acho que não... Mas vou ver... Qualquer coisa ligo de novo... Tchau. - Desligou.





Do outro lado da linha... Bianca desligou e foi até a sala onde Renata estava.

- Nossa ela tá brava com você... O que fez? - Bianca falou olhando para Renata.

- O que ela disse?

- Que dinheiro nenhum faria  dançar ou qualquer outra coisa pra você.. – Concluiu.

- Bianca consiga o endereço dela.

- Como... Como vou conseguir isso? - Perguntou assustada.

- Vire-se... Não sei como. - Falou e saiu.

Bianca ficou ali pensando no que tinha acontecido e se preocupou... Conhecia Renata há muitos anos e desde que Ângela  tinha morrido, há quatro anos, nunca mais teve ninguém em sua vida. Sabia de alguns casos passageiros, mas ninguém realmente sério. Tinha muitas mulheres a seus pés... E homens se quisesse... “O que ela queria com esta menina?... Tudo bem... Linda!... Mas daí a querer ir na casa dela?... Como vou conseguir?... Já sei no jornal! A primeira vez peguei o nome dela no jornal, alguns fazem cadastro de anunciantes... Vou usar a influência de Renata... Afinal sua empresa é uma das maiores anunciantes... Não vão negar um favor a Renata Costa Mendes da Fonseca.”





No decorrer da semana fui a algumas empresas que haviam anunciado vagas para recém formados nos murais da universidade. Preenchi fichas, fiz entrevistas, currículos... E estava aguardando algumas  respostas...





Uma semana depois da ligação de Bianca... Na sexta- feira a noite estava em casa, na frente do PC, trabalhando em minha monografia. Já passava das dez da noite. Ouvi a campainha...

“Como?... Ninguém chamou no interfone... Deve ser algum vizinho” – Pensei.

Fui até a porta... Nem olhei antes... Abri. Quando vi Renata na porta... Fiquei paralisada... “C..Como?” Não conseguia raciocinar...

- Não me convida para entrar?” - Ela perguntou, me olhando dos pés a cabeça. Estava de regata justa e uma calça branca de algodão leve.

- O que quer aqui?... Como descobriu meu... Meu endereço? - Falei sem me mover.

Renata deu um passo a frente e eu dei um passo para o lado, dando-lhe passagem. Fechei a porta... Renata ficou próxima a mim... Junto a porta.

- Não foi difícil... Basta conhecer as pessoas certas... - Respondeu.

- E você deve conhecer todas, não é? - Perguntei irônica.

- Não! Somente algumas. - Respondeu sem tirar os olhos dos meus.

Tentei me mover, sair daquele contato... Ela bloqueou minha passagem... E me pegou pela cintura... Como da outra vez...

- Por que não quis dançar pra mim? Não gosta do meu dinheiro... Moça?

- Não gosto de você! - Respondi de forma ameaçadora.

Ela me apertou mais...

- Não é o que sinto... - Falou já repetindo o gesto que havia feito em meu pescoço... Me cheirava...- Me solta... -  Sem muita convicção... Não conseguia me mexer.

- Por que não quis? - Repetiu novamente a pergunta sem tirar o rosto de meu pescoço.
- Sua amiga deve ter dado o recado... O que você quer de mim? Não quero fazer nada pra você e, também não quero seu dinheiro.

Tentei sair daquele abraço... Mas ela me apertava contra seu corpo...

- Quem disse que vou pagar? Já disse pra você que não pago por sexo.

Nesse momento me empurrou contra a parede e me olhou... Achei que ia me beijar, mas novamente passou seus lábios próximo aos meus e começou a se esfregar em meu pescoço... Senti sua perna abrir as minhas e senti sua coxa pressionando... Esfregando... Sua língua no meu pescoço... Não conseguia mais resistir... E não queria... Continuava me mantendo contra a parede... Levantou minha blusa... Tirou... Senti sua boca em meus seios sugando... Lambendo... Sem rodeios... Ela estava fazendo o que queria comigo... Comecei a não controlar meus gemidos... Estava cheia de desejo, de vontade dela... Desceu as duas mãos pela lateral de meu corpo e baixou rapidamente minhas calças... Levantou minha perna e a prendeu em seu corpo... Com a outra mão me invadiu fazendo movimentos que me deixaram alucinada... A segurei e acompanhei o ritmo de sua mão... Procurei sua boca... Mas ela evitava... Mantinha em meu pescoço... Mordia minha orelha... Começou a falar no meu ouvido... Entendi algumas coisas outras não...

- Já sentiu assim?... Enh?... Responde... Diz pra mim...

Não conseguia falar, mas respondi num gozo alucinante... Desfaleci em seus braços... Me segurou e descemos devagar até o chão... Ela deitou em cima de mim... Tirou meu cabelo do rosto e me olhou... Lindamente!... Aquele olhar me levava os pensamentos... Sentia minha mente vazia... Achei que ia me beijar... Chegava perto... Aspirava o ar... E se afastava... Sentia o seu nariz próximo a minha pele... E senti uma vontade irresistível dela... Me movi e a coloquei em baixo de meu corpo... Ela estava totalmente vestida... E eu nua em cima dela... A olhei enquanto abria sua blusa percebi que queria... Tanto quanto eu.... Sua respiração acelerada... Seu olhar me olhando com desejo... Queria beijá-la, mas não fiz... E fui abrindo todos os obstáculos que me separavam daquele corpo que desejava desde o primeiro dia que tinha visto... A deixei nua e da mesma forma que ela... Sem rodeios... Tomei seus seios... Fiz o que queria... Desci até o meio de suas pernas e senti vontade de engoli-la... Tomá-la... Minha língua a explorou de todas as formas... Pela primeira vez em muito tempo... Não estava preocupada em dar prazer... Mas saciar a minha vontade... Minha vontade dela... Percebi que estava chegando seu momento... Me segurou com força contra ela... Desta vez fui eu que falei:

- Ainda não... Espera... Quero mais...

Queria mais, queria prolongar aquela sensação maravilhosa de tê-la, mas não esperou por muito tempo... Tive a sensação maravilhosa de receber todo seu prazer na minha boca...

Ficamos no chão por mais algum tempo. Fiquei ao seu lado, apoiando a cabeça com uma mão e a outra passeava no corpo dela. Com as pontas dos dedos fiz o contorno dos seios, fui descendo até a barriga...

“Como é linda... Macia... Cheirosa!”

Estava encantada com seu corpo... Ela me olhava em silêncio e eu também. De repente ela levantou:

- Preciso ir embora. - Falou e começou a pegar as roupas.

Levantei com ela e calmamente comecei a me vestir. Ela também. Em silêncio. Antes de se dirigir a porta... Me olhou. Novamente achei que ia me beijar, mas desviou o olhar. Quebrei o silêncio:

- Fez o que queria? - Perguntei suavemente.

Ela não respondeu. Me olhou novamente. Não consegui decifrar aquele olhar. Abriu a porta e foi embora. Fiquei olhando para a porta por algum tempo.

“Por que não pedi que ficasse? Teria feito amor com ela a noite inteira...” – Suspirei.

Tomei um banho e voltei para minha monografia. Desisti.

“Renata... Renata... Renata... Sua pele... Seu cheiro... Seu corpo... Estou perdida!”

Tentei acionar todos os meus mecanismos de defesa.